1. A pequena área das serras de Montemuro, Freita e Arada. Um perímetro de dezenas de quilómetros que ano após ano transformamos em centenas. Todos os lugares vistos e revistos, todas as estradas e caminhos percorridos e sempre outros por percorrer.
2. A ‘casa’ (na realidade um solar enorme) do romance de Eça de Queirós, ‘A Ilustre Casa de Ramires’, por acaso não se situa em Ramires mas lá próximo, perdida no labirinto de estradinhas que cortam a serra de Montemuro no Concelho de Resende. A Câmara fez um óptimo trabalho de sinalização da dita casa. Pena é ter-se esquecido de referir que, sendo propriedade particular, os donos não autorizam a entrada na quinta e escondida no meio do arvoredo, nem de longe é possível ver a ilustre.
3. Dezenas de placas a indicar as praias fluviais do Concelho de Resende. Mesmo no labirinto de estradinhas na Serra de Montemuro. Placas em estradas que descem para rios, outras que sobem para o alto da serra. Não faltam indicações. Mas a verdade é que não conseguimos encontrar nenhuma das praias e só depois percebemos porquê: algumas situam-se a dezenas de quilómetros e completamente fora de onde seria suposto estarem. O problema é a falta generalizada de sinalização de lugares e estradas em Portugal, coisa que abunda no Concelho de Resende. Ninguém em Portugal espera, num lugar recôndito, encontrar uma placa de sinalização para outro lugar recôndito que se situa a dezenas de quilómetros. Sabendo disto, é um belo estratagema da Câmara para obrigar incautos a percorrerem todas as estradas do concelho.
4. Mas Resende era uma fixação de T.. Na vila, T. exclama ao ver muitos talhos: “Olha tantos talhos! Se calhar é da carne!”. Provavelmente… mas não garanto: também havia boutiques de carne e à semelhança de outras ‘boutiques’ talvez já vendam um pouco de tudo.
5. Ainda Resende. Ao final do dia, eu e T. sentados numa esplanada a beber uma cerveja. Na rua, a poucos metros donde estávamos, um pardal. Passa um carro. Vários goles de cerveja depois, T. vira-se para mim e diz “acho que o pardal foi atropelado, não se mexe”. Uns minutos depois: “mexeu-se, ainda está vivo”. Outros minutos depois: “coitadinho, está todo esparramado e mesmo assim está a andar. Vou lá.” Antes que T. se levantasse, o ‘pardal’ levantou voo: era uma folha de álamo presa entre duas pedras da calçada. Resende é uma terra perigosa.
2 Comentários
Também já vi algun desses pardais…