Arquivos Mensais: Julho 2008

Não por acaso, o título deste post não se refere às quotas que tenho em atraso, desde que nasci, no FCP, SCP, SLB (mais conhecido pelo glorioço – peço desculpa pelo erro ortográfico), e outros que tais.

O título tem mais a ver com velhadas, cotas, (cá está), Kotas, adultos, pais, tios, avós… enfim, com a idade.

Segundo a definição do meu filho, um cota é: “Pessoa que tem 40 anos ou mais, que costuma ser um bocado aborrecida, chata, antiquada, não costuma topar as cenas dos ‘men’ de hoje em dia e que não estando assim muito habituados a modernices, às vezes passa vergonhas em frente aos jovens”.

No penúltimo fim-de-semana esteve cá em casa um grupo de amigos (a maioria com mais de 40 anos). Um pouco antes das dificuldades das despedidas, diz o meu filho: “Se houvesse um exame para cotas, vocês estariam todos chumbados”.

Quando escrevemos impressões do (sobre o) quotidiano, escrevemos para alguém ou para nós próprios? É uma pergunta ridícula na medida em que estou a escrever num blogue. Mesmo que seja lido por muito pouca gente, alguém além de mim também o lê. Logo, não estou a escrever só para mim.

Mas a verdade é que estou. Apesar de tratar essencialmente de banalidades do dia-a-dia do Augusto, misturando experiências do M2, não se trata de um diário. Tudo se resume à preguiça de pegar numa caneta.

Como vivo numa aldeia, não preciso de me deslocar para comprar pão: basta deixar um saco pendurado no portão e o padeiro encarrega-se de deixar o número de pães pretendido. Ao sábado, dentro do saco, fica o dinheiro para pagar os pães da semana. Em certos dias, se há pão em casa, o que o padeiro deixa vai directamente para o congelador. Ontem, ao retirar um pão do congelador, deparo-me com um papelinho dentro do saco:

Conclusão da estória: um pão recebido algures nos finais de Janeiro foi directamente para o congelador e era o pão onde, no respectivo saco, vinha o anúncio do aumento. Desde Fevereiro que ando a comprar pão ao preço de 2007. Não faço ideia de qual é a minha dívida mas o certo é que o padeiro ainda não se queixou. Viver numa aldeia continua a ser muito bom.

Não costumo ler os comentários que são deixados sobre as notícias que são publicadas nos jornais online. Hoje abri uma excepção a propósito do despenhamento de ontem ao largo do Cabo da Roca de um bimotor. Porque o piloto me era uma pessoa próxima. Mas não devia ter lido os comentários.

É incrível a sordidez e a pequenez da vidinha de certas pessoas. Mais que confrangedor, mete nojo.

[UPDATE] – Pode ser censura a posteriori, mas todos os comentários ofensivos e ‘nojentos’ (e que nada tinham a ver com a pessoa nem com a notícia), foram retirados. Não faço ideia se este procedimento é habitual ou se resultou de pressão, mas estou inteiramente de acordo.

… no mundo dos coisos.

Muitos avatares andam por lá sem faro(l) de facto. Mas pelo menos ‘objectos’ julgados perdidos talvez não estejam. Os LL andaram a fazer a revisão periódica aos servidores e encontraram muita coisa escondida nas caves. A estória desenrola-se assim: entrar em SL, limpar a cache e sair. Voltar a entrar, deixar que o inventário se reconstitua e espreitar a pasta  ‘Lost and Found‘. De certeza que vão lá encontrar muita coisinha julgada perdida. Eu recuperei tralha perdida há mais de 6 meses, alguma dela comprada, perdida e nunca usada.

Como este blogue (e eu) não pode viver só de banalidades e parvoíces (para parvoíces já existem muitos, mas apenas um genuinamente parvo), este post é serviço público.

Eu adoro ovos escalfados e, particularmente, claras de ovos batidas em castelo e ligeiramente escalfadas. Das muitas sopas disponíveis nos menus dos restaurantes chineses, uma das minhas preferidas é a sopa de ninhos de andorinha.

A verdadeira sopa de ninhos de andorinha não se vende nos restaurantes chineses comuns porque é feita exactamente disso: ninhos de andorinha. Não são umas andorinhas quaisquer nem uns ninhos quaisquer: os ninhos são feitos essencialmente a partir da saliva de duas espécies de andorinhas que vivem em alguns países asiáticos, Aerodramus fuciphagus e Aerodramus maximus, apesar de também serem comercializados os ninhos de outras espécies. Devido à pressão existente sobre estas espécies em consequência do consumo dos seus ninhos, elas encontram-se em risco e o valor dos ninhos atinge quase o mesmo valor do verdadeiro caviar (muitos milhares de euros por quilo).

Mas quem goste dessa sopa, como eu, e tenha preocupações ambientalistas e conservacionistas, pode ficar descansado porque só está a comer claras de ovos batidas em castelo e ligeiramente escalfadas.

Ontem a minha filha fez anos e, para comemorar, escolheu um restaurante chinês para irmos jantar. Eu adoro comida chinesa. Claro que em Portugal o que comemos de comida chinesa é tipo ‘fast-food’ mas adoro. Nunca fui à China mas já comi ‘o mais aproximado possível‘ no Canadá, na cozinha de um restaurante na ‘China Town’ de Montreal, junto do ancião da família (e foi com ele que aprendi a não fazer a figura ridícula de tentar comer arroz com pauzinhos em prato raso).

Mas os restaurantes chineses que eu conheço em Portugal (ou pelo menos em Aveiro), têm um grave problema: após a segunda colherada da sopa (que vem sempre a ferver) já me estão a pôr o prato principal na mesa. A única vez em que eu só pedi a sopa e disse ao empregado que só depois de a comer faria o pedido para o prato seguinte, ele fez uma tal expressão de incompreensão e tristeza que nunca mais tive coragem de repetir a proeza. Agora já me habituei a pedir tudo logo de início. Até porque o prato principal também vem sempre a ferver.

O Knol, alternativa Google à Wikipedia, está prestes a abandonar a fase beta. E entrando na página podemos verificar (24 Julho 2008; 18h20m hora portuguesa) que um dos artigos em destaque se refere a sanitas. Está explicada a razão porque em SL, qualquer questãozinha entre slianos ganha foros de guerra e drama: todo o sliano, enquanto internauta, dá grande destaque a problemas de merda.

Terça-feira passada morreram afogadas duas pessoas numa praia fluvial do rio Lima. A equipa de vigilância tinha passado algum tempo antes pelo local. Palavras do comandante da Capitania de Viana do Castelo “Se tivesse passado um pouco mais tarde [a equipa], provavelmente tinham resolvido a questão”.

É tipicamente português: não respeitamos horários e temos a mania de nos afogarmos só depois das equipas de socorro terem passado.

[UPDATE] – Podia ser outro post, mas resolvi fazer update porque também se refere a afogamentos. Do JN: “Uma criança morreu afogada numa piscina privada, esta madrugada, em Sines. É a terceira vítima mortal desde o início do Verão na região algarvia”. Mais à frente a notícia já refere que afinal foi em Silves. Hmmmmmm… acho que esta coisa do ALLgarve anda a baralhar a geografia nacional.

A passo lento mas firme, os dias encaminham-se em direcção às férias.